No cenário atual da saúde, tecnologia e abordagem integrada vêm sendo combinadas para ampliar a eficácia no tratamento de feridas.
Em vista disso, durante o Congresso Internacional da SOBRATAF, Marcelo Liberato, representando a Mölnlycke, discutiu a necessidade de evolução para modelos terapêuticos mais abrangentes, fundamentados no conceito de epigenética.
Genética vs. Epigenética: o papel do estilo de vida
Embora o desenvolvimento de doenças seja frequentemente associado à herança genética, evidências científicas indicam que fatores ambientais e comportamentais exercem influência significativa sobre a expressão gênica.
Estima-se que uma parcela relevante das condições de saúde esteja relacionada a fatores epigenéticos — ou seja, elementos externos que modulam a ativação ou inibição de genes ao longo da vida, como:
- Nutrição e hábitos alimentares;
- Condições psicossociais e níveis de estresse;
- Ambiente de vida (da infância à fase adulta).
Esses fatores impactam, diretamente, vias metabólicas, neuroendócrinas e imunológicas, influenciando a resposta do organismo a processos inflamatórios e de reparação tecidual.

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Inflamação crônica de baixo grau
Um dos estados mais relevantes nesse contexto é a inflamação crônica de baixo grau, caracterizada por ativação persistente e sistêmica do sistema imunológico.
Associada ao estilo de vida e ao ambiente, essa condição pode levar a disfunções celulares progressivas, incluindo alterações no funcionamento mitocondrial — estruturas responsáveis pela produção de energia celular.
Ou seja, esse estado inflamatório está relacionado à senescência celular e ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como:
- Diabetes tipo 2;
- Doença de Alzheimer e Doença de Parkinson;
- Doenças cardiovasculares e autoimunes.
O impacto na Insuficiência Venosa Crônica (IVC)
Ao aplicar essa perspectiva ao tratamento de feridas, destaca-se o papel da Insuficiência Venosa Crônica, uma das principais causas de úlcera em membros inferiores.
Logo, a IVC apresenta componentes inflamatórios e linfáticos relevantes. Sendo assim, do ponto de vista fisiopatológico, sua progressão — que pode culminar em úlceras venosas — está associada a processos inflamatórios persistentes no organismo.
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